A Articulação Brasileira pelos Direitos da Natureza, a Mãe Terra realiza o Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza como um espaço nacional de articulação, escuta e construção coletiva, reunindo povos indígenas, comunidades tradicionais, movimentos sociais, academia, poder público e sociedade civil em torno do reconhecimento da Natureza como sujeito de direitos.
Ao longo de suas edições, o Fórum tem se consolidado como um território político, simbólico e pedagógico de enfrentamento à crise climática e socioambiental, promovendo o diálogo entre saberes científicos, ancestrais e comunitários, e impulsionando avanços concretos no campo jurídico, institucional e territorial dos Direitos da Natureza.

A terceira edição do Fórum será realizada em Ouro Preto e Mariana, Minas Gerais, território profundamente marcado por crimes socioambientais que atingiram rios, montanhas, comunidades e modos de vida. A escolha de Mariana não é casual: trata-se de um gesto político e ético que reafirma a necessidade de transformar territórios de violação em espaços de memória, reparação, justiça climática e construção de novos paradigmas de relação entre sociedade e Natureza.
Reconhecido e articulado com iniciativas internacionais, como o Programa Harmony with Nature da Organização das Nações Unidas (ONU), o Fórum dialoga com a recomendação da ONU (A/RES/77/169) para o fortalecimento de espaços de escuta e formulação de princípios voltados ao reconhecimento dos direitos da Mãe Terra. Nesse sentido, o Fórum contribui para o debate global sobre os Direitos da Natureza, a partir das experiências concretas dos territórios.
O Fórum se traduz em ações afetivas, simbólicas, espirituais, políticas e organizativas, reafirmando a Natureza — humana e não humana — como sujeito de direitos. Reafirma também a urgência do resgate de modos de vida baseados na reciprocidade, no cuidado e na convivência harmônica entre os seres.
Um de seus objetivos centrais é a escuta das necessidades e propostas das comunidades originárias e tradicionais, promovendo o diálogo entre essas vozes e os diversos setores da sociedade. O Fórum busca ser cada vez mais do povo, pelo povo e para o povo, refletindo as realidades dos povos da terra e das águas, que mantêm uma relação profunda e diferenciada com a Natureza.
Como expressão desse compromisso territorial, o Fórum é co-criado a partir do Conselho do Território, instância formada majoritariamente por lideranças, coletivos e organizações da região onde o evento é realizado, em consonância com o princípio da bioculturalidade dos Direitos da Natureza, que reconhece a inseparabilidade entre cultura, território e vida.
Entre suas ações de incidência concreta, o Fórum promove:
- Oficinas para impulsionamento de Protocolos de Consulta Prévia, Livre e Informada;
- Construção coletiva de propostas de leis de reconhecimento dos Direitos da Natureza, de territórios e de sujeitos além-humanos;
- Fortalecimento de comitês, conselhos e fóruns de governança climática;
- Valorização de práticas territoriais e saberes ancestrais como tecnologias de resiliência climática.
O 1º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza foi realizado em junho de 2018, em São Paulo, em parceria com o Governo do Estado, juntamente com o 2º Fórum Internacional dos Direitos da Mãe Terra, e marcou a aprovação da primeira lei brasileira a reconhecer os Direitos da Natureza, no município de Bonito (PE).
Desde então, o Fórum segue fortalecendo redes, inspirando legislações, articulando políticas públicas e reafirmando que a defesa da Natureza é inseparável da defesa da vida, dos povos e dos territórios.

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